Menino Deus

Menino Deus
"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós " (João 1,14)

«Quanto mais Me honrardes, mais Eu vos favorecerei».

Menino Jesus de Praga

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Se pedirdes...


Tarsila do Amaral - devota do Menino Jesus de Praga


Novena Poderosa ao Menino Jesus de Praga


Pai Eterno! Eu Vos ofereço, para Vossa honra e glória, e para minha salvação eterna e de todo o mundo, o mistério do Nascimento do Nosso Divino Redentor.
Glória ao Pai, etc.
Pai Eterno! Eu Vos ofereço, para Vossa honra e glória, e para minha salvação eterna e de todo o mundo, o mistério dos sofrimentos da Santíssima Virgem e de S. José na longa e penosa viagem de Nazaré a Belém, e a angústia dos seus corações por não encontrarem abrigo no momento de nascer o Salvador do mundo.
Glória ao Pai, etc.
Pai Eterno! Eu Vos ofereço, para Vossa honra e glória, e para minha salvação eterna e de todo o mundo, o Presépio em que nasceu Jesus, o frio que sofreu, as lágrimas que verteu e os seus ternos vagidos.
Glória ao Pai, etc.
Pai Eterno! Eu Vos ofereço, para Vossa honra e glória, e para minha salvação eterna e de todo o mundo, a dor que sentiu o Divino Menino Jesus no seu delicado corpinho quando se submeteu à circuncisão; eu Vos ofereço o sangue precioso que Ele então derramou pela primeira vez para salvação de todo o género humano.
Glória ao Pai, etc.
Pai Eterno! Eu Vos ofereço, para Vossa honra e glória, e para minha salvação eterna e de todo o mundo, a humildade, a mortificação, a paciência, a caridade e todas as virtudes do Divino Menino Jesus, e Vos agradeço, Vos amo e bendigo continuamente por este inefável mistério da incarnação do Verbo Divino.
Glória ao Pai, etc.
O Verbo se fez carne. E habitou entre nós.
Oração — Ó Deus, cujo Unigénito apareceu na substância da nossa carne, concedei, Vos suplicamos que por Aquele que reconhecemos externamente semelhante a nós, mereçamos ser reformados interiormente.
Assim seja.


Epifania




"Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos, todos os povos da terra." Salmo 71

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Santa Maria - Mãe de Deus

Catecismo:

Mãe de Deus
§ 466 A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Diante dela, São Cirilo de Alexandria e o III Concílio Ecumênico, reunido em Éfeso em 431, confessaram que "o Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, se tornou homem[a30] ". A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde sua concepção. Por isso o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que Maria se tornou de verdade Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio: "Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne[a31] ".

A MATERNIDADE DIVINA DE MARIA

§495 Denominada nos Evangelhos "a Mãe de Jesus" (João 2,1;19,25[a32] ), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como "a Mãe de meu Senhor" (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos[a33] ).

§509 Maria é verdadeiramente "Mãe de Deus", visto ser a Mãe do Filho Eterno de Deus feito homem, que é ele mesmo Deus."


MARIA:


É A Mãe de Deus
Se Cristo é a segunda pessoa da Santissima Trindade e se Deus é uno e trino, logo, Maria é verdadeiramente a Mãe de Deus. No evangelho "a Mãe do meu Senhor" (Lc 1,43 ).

É A Mãe de Todos os Homens
Se somos todos filhos de Deus, em Jesus, também somos filhos de Maria, mãe de Jesus.

"Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa"(Jo 19,26-27).

Foi Concebida sem Pecado (Imaculada Conceição)Maria é conhecida como Santa Pureza, porque como a Suma pureza de Deus poderia nascer do impuro? Por isso ela foi escolhida "bendita és tu entre as mulheres" (Lc 1,42) e preservada de toda mancha do pecado original. Maria concebeu pelo Espírito Santo sem a cooperação do homem. Por isso o Anjo a saúda: "Ave, cheia de Graça (Cheia de Deus), o Senhor é contigo..." (Lc 1,28).

É Sempre Virgem

Maria deu a luz o seu Filho sem qualquer violação da sua integridade virginal, assim como o sol atravessa uma janela de vidro sem quebrá-la. Após o nascimento de Jesus, Maria permaneceu Virgem. O facto de Maria não ter tido mais filhos (os versículos que falam nos irmãos de Jesus se referem aos seus primos) indica que ela nunca se uniu a José, seu marido.
"O Senhor disse-me: Este pórtico ficará fechado. Ninguém o abrirá, ninguém aí passará, porque o Senhor, Deus de Israel, aí passou; ele permanecerá fechado."
(Ez 44,2)
E no Novo Testamento é confirmado o que os profetas predisseram: Maria concebe virginalmente pela ação do Espírito Santo. (Lc 1,27-31).
Por onde Jesus passou, ninguém passa.

Foi Assunta aos Ceus
Quando chegou a hora de sua morte Maria adormeceu suavemente no Senhor, depois ressuscitou e foi levada gloriosamente em corpo e alma para o Céu. Deus quis assim para que Maria participasse de maneira singular na ressurreição de Jesus e é também uma antecipação da ressurreição de todos os cristãos.

É Rainha 

"1. Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.
2. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz.
3. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas.
4. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho.
5. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono.
6. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias." (Ap 12,1-6).

Está bem claro nessa passagem que a mulher é Maria, mãe de Jesus, que perseguida pelo demonio, fugiu para o deserto. E tinha na cabeça uma COROA de 12 estrelas, o que quer dizer que ela foi coroada no Ceu. Recebeu a coroa da Gloria, assim como os santos receberam e os santos no fim dos tempos também receberão. Jesus disse:
"quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós, que me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel." (Mt 19,28)
Se os apostolos de Jesus merecem tais honras o que não merecera a Mãe de Jesus?
Havia uma "vaga" no Céu, deixada por "aquele que não queria servir", Lucifer. E essa "vaga" foi preenchida por Maria.

"9. Ao vê-la, as donzelas proclamam-na bem-aventurada, rainhas e concubinas a louvam.
10. Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha?" (Ct 6,9-10)

Esta passagem também se refere a Maria, porque ela é a "bem aventurada", "bendita entre as mulheres". Se as rainhas a louvam, ela também merecia esse título.

É A Nova Eva
Com a entrada do pecado no mundo Deus precisou enviar um Novo Adão, Jesus Cristo para nos salvar e o fez através de uma Nova Eva, Maria.
“Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar”(Gn 3,15).
Esta mulher é Maria. O próprio Jesus tratava-a pelo nome de "mulher" (Jo2,4;19,26) numa clara referência à essa passagem do Génesis.

É Medianeira
“... assunta aos céus, não abandonou este mundo salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna(...) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira (LG 62)”(§ 969).

Ela intercede por nós, como uma pessoa querida ora por nós, ela também pede a Jesus pelas nossas necessidades, assim como intercedeu nas Bodas de Caná:

“Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho. Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou.
Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser”(Jo 2,3-5).

E ela sempre indica o caminho para o seu Filho, como quando disse: "fazei o que ele vos disse". Ninguém vai ao Pai senão por Jesus, porém Maria e os santos intercedem junto a Jesus. Quando uma pessoa ora a Jesus por outra pessoa, faz o mesmo que Maria faz, intercede junto a Jesus. Porém grande é o apelo que tem junto ao coração de um filho o pedido de sua mãe!

Referindo-se à Mãe de Jesus, diz s. Agostinho: “Santa Maria fez a vontade do Pai e a fez inteiramente; por isso vale mais para Maria ter sido discípula de Jesus do que sua Mãe. Feliz era Maria, porque antes de gerá-lo, já o trazia em seu coração”. Eis a grandeza de Maria, modelo de fé para todos nós!

Santa Maria, rogai por nós!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O Menino Jesus e a Cruz



“… Encontrareis um recém-nascido envolto em panos e deitado sobre uma manjedoura”. (Lc 2,12)
São Paulo da Cruz tinha uma estampa do Menino Jesus dormindo sobre a cruz e, do seu lado, os objetos da Paixão:
Tinha eu, anos atrás, um quadro de um belo Menino, dormindo placidamente sobre uma cruz. Quanto me agradava este símbolo! Dei-o a uma pessoa de vida santa para que ela se habituasse a dormir sobre a Cruz de Jesus em doce silêncio e tranquila paciência. Eu queria, como desejo a você, que aquela alma fosse criança em pureza e simplicidade e dormisse sobre a cruz de Jesus. Portanto, você, que no Santo Natal, terá o Menino no seu coração, todo transformado Nele por amor, durma com Ele no berço da Cruz e, embalado pela melodia da divina canção que Maria Santíssima cantará, você adormeça com a Divina Criança, transformada num só coração com Ela. O Cântico de Maria Santíssima será: seja feita a vossa vontade, assim na terra, como no céu; a outra estrofe será: trabalhar, padecer e calar; e a terceira: não te escusar, não te lamentar, não demonstrar ressentimento… Que te parece esta canção? Aprende-a, cante-a, dormindo sobre a Cruz e cumpre-a com fidelidade que eu te asseguro te tornarás santo…”. (São Paulo da Cruz, Cartas III, p. 602-604)
Depois desse recado de São Paulo da Cruz, o que essa estampa tem ainda a nos falar?
Deus assumiu por completo a realidade humana. Enquanto dor, vemos o recém-nascido em total pobreza e despojamento, ignorado pelos grandes do mundo e privado do aconchego de um lar. Enquanto amor, Ele não colocou critérios e nem escolheu o lugar para se fazer solidário a nós; manjedoura ou cruz… a causa foi maior do que as circunstâncias. O cristão que não consegue relativizar a dor, em vista do amor, ainda está distante das lições do Mestre.
Os objetos da Paixão estão a sua (a nossa) volta. O que faria uma criança se, ao nascer, ela já tivesse a consciência de que a sua vida, seria um caminho de cruz? Se ela já pudesse sentir o incômodo e a dor de uma coroa de espinhos, da flagelação, dos insultos e desprezos humanos? Milhares de crianças, hoje, no mundo, estão nessa situação: pelo flagelo da fome e da miséria, pela ausência de carinho e cuidados, vítimas de um sistema de morte que descarta e abandona.
A cruz é lugar de descanso. O Menino sobre a cruz lembra as suas próprias palavras: “Vinde a mim vós todos que estais cansados e sobrecarregados pelo peso de cada dia e vos aliviarei… e encontrareis descanso para as vossas almas…” Há muita gente ignorando esse convite do Senhor, trocando o aconchego do Coração de Deus, por comodidades que as impedem de crescer. A cruz são os braços de Deus a nos afagar e a nos proteger. Fugir da cruz de Cristo é viver cansado e sem rumo.
As condições para o seguimento. “Quem quiser me seguir renuncie a si mesmo…” A cena parece dizer que o Menino renunciou ao prazer dos brinquedos, optando pelos objetos da Paixão. Eis a difícil decisão: dizer não às próprias vontades para acolher a Vontade divina. O Menino está Crucificado: “… tome a sua cruz a cada dia e siga-me”. Abraçar a cruz é estar disposto a morrer a cada instante pelo Evangelho; é abandonar-se em Deus, colocando a vida e a história em suas mãos.
A Kenosis necessária. Ao se encarnar (descer) Deus nos eleva (divino nascimento). Em São Paulo da Cruz, o nascimento e a ressurreição têm o mesmo sentido. Paulo da Cruz experimenta uma verdadeira simbiose entre o mistério pascal e o mistério do Natal. A morte mística é ao mesmo tempo ir para a cruz com o Cristo e com Ele morrer e assumir o próprio nada para que aconteça em nós, uma nova Encarnação do Verbo. A vida é uma constante novidade de Deus: “Eis que faço novas todas as coisas.”
Natal é Paixão dolorosa para aqueles que não têm moradia, trabalho, saúde, dignidade… Para quem substituiu o Menino Jesus pelo papai Noel e para quem acredita que religião ainda é ópio. É Paixão amorosa, naqueles que perdem tempo com a pessoa e com a criação, promovendo a vida… certos de que a Criança de Belém está presente em cada grito de dor e em cada sorriso festivo. Natal é Paixão dolorosa e amorosa, porque Deus continua se encarnando, lembrando que o céu desceu à terra e a terra se elevou ao céu. Deus estabeleceu morada no coração do homem e o homem no coração de Deus. FELIZ E SANTO NATAL!
 Pe. Amilton Manoel da Silva, CP